Quanta água terá deslizado?
Como se orientaram aqueles tons uniformes?
Gostava de lá ter estado para saborear o momento magnífico e suave.
Já que por vezes nada é suficiente.
Não me chega o alívio de sentir as brisas da noite, testemunhas dessas marés.
Da próxima vez irei mergulhar. Acompanhar por um momento a fonte de vida da nossa grande casa... redonda e azul.
Abraçar uma praia... e outra...
Caprichar com o Sol, passear com a Lua, deslizar até ti...
Será que me acompanhavas?
Depois da chuva posso compreender...
As últimas gotas são as mais sensatas e sirvo-me delas para disfarçar as lágrimas.
Entre o silêncio da fresca manhã que se aproxima, ouvem-se memórias de nós dois.
O tempo para chorar por ti terminou, como a cor da ultima rosa se extinguiu sem o suor do nosso amor. E entre os sons da noite brilham as estrelas, já cansadas de me ouvir.
Tal qual as pétalas mais sábias de cada flor... os meus olhos deixam-se levar pelo cintilar pálido deste instante, embalados na frescura nocturna.
A forma consciente como me despeço de cada estímulo dos sentidos, deixa-me finalmente reaver o início do sonho que me trouxe até aqui.
O ritmo diminui... a pele, já seca, arrepia-se como uma pincelada desenhada ao acaso pelo destino.
Depressa os aromas, as melodias, os tons azulados e o sabor salgado; se fazem notar em jeito de ciúme, acompanhando o vento.
Adormeço com um sorriso. Já longe das carregadas nuvens que hoje tão bem representaram...
quarta-feira, agosto 08, 2007
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