sexta-feira, novembro 30, 2007

Manhã

Os sons pareciam cada vez mais frequentes.
Despertar com um beijo suave foi um impulso natural e irreflectido.
A noite tinha sido calma e o alvorecer não era diferente.
Os pássaros festejavam de forma extravagante.
Ao subir para o convés, o azul claro e salgado confundia-se com a luz branca e ofuscante vinda dos milhões de grãos.
"Vem cá ver!"
A água morna e salgada reflectia os rostos jovens.
Molham-se os pés num novo salto para terra:
"Como é que nunca descobrimos este sítio?"

quarta-feira, novembro 28, 2007

Terra

Velejar a par...
Beijos ao leme, de rota batida.

Erros de navegação...
Uma noite sem luar e o encalhe em terra branca.

Um salto para a areia molhada...
Passos até uma planície verde, para o momento de observância:


"Viste aquela luz?"
Desenhou meio círculo e apagou-se nas ervas altas que ondulavam enquanto o vento passeava pela noite.
"São pirilampos! E ouves o vento?"
"Para onde foi o frio... e o calor desta tarde?"
"Estou a sonhar?"
"Espera, não me acordes agora... quero ver melhor onde estou!"
Um trilho orientava-se entre luzes irrequietas, para a floresta densa e escura.
"Onde será que vai ter aquele trilho? Vamos?"
Continuaram, de mão dada. E pelo caminho:
"Nunca tinha visto aquele grupo de estrelas ali em cima! São de várias cores!"
"Sim, nem eu. Devo estar mesmo a sonhar... e deve haver uma razão para isto."
"Algo me diz que devo continuar."
Tudo parecia perfeito.
"Ouviste aquela melodia? Parece uma caixa de música... e está cada vez mais perto!"
"Podíamos encontrá-la e levá-la deste sonho!"
"Quero aquela melodia"- Afirmou, sorrindo.
"Agora percebo poque dançam assim os pirilampos."
"Sinto que estamos perto!"
Estavam agora imersos na floresta.
"Aqui está! Nesta árvore!"
"As estrelas apontavam para aqui desde o início..."
"Lindíssima! Podemos voltar, por hoje..."
Regressavam ao barco, agora acompanhados pela caixinha de música.
E já com os pés nas pequenas ondas:
"Vamos esperar que a maré suba mais um pouco e depois continuamos viagem."
"Deixa-me ajudar-te a subir... mas... antes disso, beijas-me?"

quarta-feira, novembro 21, 2007

Outono

Ondas de aromas...
Terra molhada... Folhas secas...
Queimadas ao longe.
Amanhã o dia vai ser de novo uma onda.
Uma onda de prazer quando as recordações do passado se juntarem a um raio de sol.
Quando um raio de sol escapar por entre as nuvens.
As nuvens atormentam-me.
Não me sei livrar do frio nem da chuva.
Aposto que tudo é vazio, no fundo destes sentimentos.
As misteriosas melodias soam mais perto, quando me aqueces.
Soam, vibrantes, com imagens isoladas de cores quentes;
Macias, ternas... reais...
Amanhã vou recordar pequenos absurdos,
Quando uma gota de chuva me atinjir no casaco,
Quando uma folha molhada sorrir para mim ao cair de uma árvore,
Quando um pequeno pássaro me tentar alegrar com pinotes ou voos rasteiros,
Ou quando o vento me alertar para o pôr do sol.
E esqueco-me, por momentos, das nuvens negras.
Mas estás em tudo o que me faz sentir bem.
Como posso sentir-me bem sem ti?
Quero, mas não consigo.