terça-feira, março 04, 2008

Perfume salgado

O céu quente fazia-se notar naquele instante.
Enquanto o espanta-espíritos convidava as ondas para dançar, os sentimentos de ambos deixavam-se levar pela música, que nascia suavemente nos seus corações apressados.
As mãos encontravam-se... os lábios cumprimentavam-se tímidamente, distraídos pelo sol, pelas partículas de sal e pelos cabelos longos.
Juntavam-se sonhos mútuos. Reacendia-se a paixão, por entre uma brisa com aromas tropicais, que deixava mais a desejar.
"Não estamos a ser precipitados?"
"Que interessa? É um sonho!"
"Sim mas..."
Mãos pelos cabelos e lábios vagueando pela pele, interrompiam a conversa.
Caía a noite no azul escuro e calmo.
Ali havia um barco, uma ilha e um céu totalmente estrelado... mas com quatro novas estrelas, fitando-se par-a-par, juntamente com suspiros mornos... tal qual investidas nocturnas do vento de Sul.
"Será possível viver para sempre num sonho?"
"Não sei, mas vou tentar com todas as minhas forças..." - disse, sorrindo.
"Ficavas aqui para sempre?"
"Sim."
"E depois? E a tua vida?"
"A minha vida consiste em procurar o que encontrámos aqui."

Os lábios disseram o resto naquela noite...

Amor

Porque estão as aves sempre tão felizes?
Porque são as estrelas sempre tão brilhantes?
Podia questionar tudo deste sonho;
Se não soubesse que a realidade também pode ser assim.

Nas nuvens encontro meios para assistir, tal como o vento,
a esta festa de liberdades.
Liberdade de crescer, florir...
Voar, nadar, sorrir, cantar...
Amar...

Porque estamos tão felizes quando amamos?
Porque são os beijos sempre tão ardentes?
Podia questionar tudo do amor;
Se não soubesse que o teu coração também pode ser assim.