domingo, dezembro 16, 2007

Despertar

"Porque nunca existiu um "nós" ! "


Agora compreendo...
Mas porque é que a ilusão não durou mais um bocadinho?

Só queria esse olhar...
Essa fuga para um céu azul,
...limpo e fresco.. sem solidão.
Esse sentimento de liberdade num espaço...
Tão pequeno... como o meu coração.
Não existe um "nós"!
Como criar um "nós" agora?
Não percebes a importância que tinhas para mim.
As tuas memórias não te doem...
Não passas de um episódio na minha mente,
Assassinado pela paixão de querer algo verdadeiro!
Um lance de vida desperdiçado,
Espezinhado ao luar.
E a tua forma já não é.
A tua feição já não me é doce.
A tua silhueta já não me adorna os sentidos.
Pois não passaste de um sonho...
Do qual acordei para dar lugar a um suspiro de amor...
Que vou encontrar!

sexta-feira, novembro 30, 2007

Manhã

Os sons pareciam cada vez mais frequentes.
Despertar com um beijo suave foi um impulso natural e irreflectido.
A noite tinha sido calma e o alvorecer não era diferente.
Os pássaros festejavam de forma extravagante.
Ao subir para o convés, o azul claro e salgado confundia-se com a luz branca e ofuscante vinda dos milhões de grãos.
"Vem cá ver!"
A água morna e salgada reflectia os rostos jovens.
Molham-se os pés num novo salto para terra:
"Como é que nunca descobrimos este sítio?"

quarta-feira, novembro 28, 2007

Terra

Velejar a par...
Beijos ao leme, de rota batida.

Erros de navegação...
Uma noite sem luar e o encalhe em terra branca.

Um salto para a areia molhada...
Passos até uma planície verde, para o momento de observância:


"Viste aquela luz?"
Desenhou meio círculo e apagou-se nas ervas altas que ondulavam enquanto o vento passeava pela noite.
"São pirilampos! E ouves o vento?"
"Para onde foi o frio... e o calor desta tarde?"
"Estou a sonhar?"
"Espera, não me acordes agora... quero ver melhor onde estou!"
Um trilho orientava-se entre luzes irrequietas, para a floresta densa e escura.
"Onde será que vai ter aquele trilho? Vamos?"
Continuaram, de mão dada. E pelo caminho:
"Nunca tinha visto aquele grupo de estrelas ali em cima! São de várias cores!"
"Sim, nem eu. Devo estar mesmo a sonhar... e deve haver uma razão para isto."
"Algo me diz que devo continuar."
Tudo parecia perfeito.
"Ouviste aquela melodia? Parece uma caixa de música... e está cada vez mais perto!"
"Podíamos encontrá-la e levá-la deste sonho!"
"Quero aquela melodia"- Afirmou, sorrindo.
"Agora percebo poque dançam assim os pirilampos."
"Sinto que estamos perto!"
Estavam agora imersos na floresta.
"Aqui está! Nesta árvore!"
"As estrelas apontavam para aqui desde o início..."
"Lindíssima! Podemos voltar, por hoje..."
Regressavam ao barco, agora acompanhados pela caixinha de música.
E já com os pés nas pequenas ondas:
"Vamos esperar que a maré suba mais um pouco e depois continuamos viagem."
"Deixa-me ajudar-te a subir... mas... antes disso, beijas-me?"

quarta-feira, novembro 21, 2007

Outono

Ondas de aromas...
Terra molhada... Folhas secas...
Queimadas ao longe.
Amanhã o dia vai ser de novo uma onda.
Uma onda de prazer quando as recordações do passado se juntarem a um raio de sol.
Quando um raio de sol escapar por entre as nuvens.
As nuvens atormentam-me.
Não me sei livrar do frio nem da chuva.
Aposto que tudo é vazio, no fundo destes sentimentos.
As misteriosas melodias soam mais perto, quando me aqueces.
Soam, vibrantes, com imagens isoladas de cores quentes;
Macias, ternas... reais...
Amanhã vou recordar pequenos absurdos,
Quando uma gota de chuva me atinjir no casaco,
Quando uma folha molhada sorrir para mim ao cair de uma árvore,
Quando um pequeno pássaro me tentar alegrar com pinotes ou voos rasteiros,
Ou quando o vento me alertar para o pôr do sol.
E esqueco-me, por momentos, das nuvens negras.
Mas estás em tudo o que me faz sentir bem.
Como posso sentir-me bem sem ti?
Quero, mas não consigo.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Solicitude

Quanta água terá deslizado?
Como se orientaram aqueles tons uniformes?
Gostava de lá ter estado para saborear o momento magnífico e suave.
Já que por vezes nada é suficiente.
Não me chega o alívio de sentir as brisas da noite, testemunhas dessas marés.

Da próxima vez irei mergulhar. Acompanhar por um momento a fonte de vida da nossa grande casa... redonda e azul.
Abraçar uma praia... e outra...
Caprichar com o Sol, passear com a Lua, deslizar até ti...
Será que me acompanhavas?

Depois da chuva posso compreender...
As últimas gotas são as mais sensatas e sirvo-me delas para disfarçar as lágrimas.
Entre o silêncio da fresca manhã que se aproxima, ouvem-se memórias de nós dois.
O tempo para chorar por ti terminou, como a cor da ultima rosa se extinguiu sem o suor do nosso amor. E entre os sons da noite brilham as estrelas, já cansadas de me ouvir.

Tal qual as pétalas mais sábias de cada flor... os meus olhos deixam-se levar pelo cintilar pálido deste instante, embalados na frescura nocturna.
A forma consciente como me despeço de cada estímulo dos sentidos, deixa-me finalmente reaver o início do sonho que me trouxe até aqui.
O ritmo diminui... a pele, já seca, arrepia-se como uma pincelada desenhada ao acaso pelo destino.

Depressa os aromas, as melodias, os tons azulados e o sabor salgado; se fazem notar em jeito de ciúme, acompanhando o vento.
Adormeço com um sorriso. Já longe das carregadas nuvens que hoje tão bem representaram...

segunda-feira, abril 23, 2007

Neblina

Adoro acordar quando não devo.
Adoro a noite da liberdade
Que me atrai nessa altura.
Ver o papel ser vincado,
Ornamentado com os riscos
Do não poder estar consciente.
Que é mais...
É não querer concordar com o tempo;
É voar no pedaço esférico de atmosfera em que sou livre.
Adoro conviver com as luzes tímidas destes instantes;
Os brilhos raros, as sombras pálidas,
Os sons calmos, são tempestades tão agradáveis.
Miniaturas;
Partes do instante que não devia existir, felizmente.

Assistir ao virar das páginas
Dos tons azuis-escuros... claros,
Brancos acinzentados.
Ambos amenos e cúmplices
Dos ventos marotos,
Do momento em que se olha o céu
Do nosso pequeno mundo.
O equilíbrio... quantas vezes desafiado
Pelo prazer de fugir à rotina da gravidade,
já ultrapassada nas felizes ondas.
Adoro ondular, voando na superfície das vagas bicolores.
Circundar as lógicas das terras,
À vista de todos os ângulos.
Sentir a felicidade preencher-me os pulmões...

Não ser; viver inteiramente,
Sonhar tudo e saber que estou acordado!
Adoro isto de fazer rodar o pó
Acumulado pelas estantes da normalidade.
Resvirar o tempo, confundir as horas,
Desencontrá-las dos minutos
E poder conversar com cada segundo
Sem prazo a respeitar.
Sorrir para o horizonte
E deixá-lo finalmente enrolar-se nas nuvens...
Trocar cada sensação e presenciar a criação de mais!

Conhecer a vontade de ver mais,
Além dos sabores...
Dos prazeres que se consomem.
Distinguir aqueles infinitos
Sempre com sorrisos reservados.
Ah... as estrelas!
Sempre presentes no meu devaneio...
Amigas do Sol...
As cores vivas, a conversar com a Lua...
Adoro ter o privilégio de estar aqui.
Na vida do segredo onde se desvendam os mistérios.

Ver as trocas de sorrisos;
Desvendá-los pouco a pouco.
Desfocar a energia
Para vislumbrar os efeitos das observações proibidas.
Adoro adormecer
E saber que haverá sempre mais...

terça-feira, abril 03, 2007

Privado

Que bem que sabe ouvir-te
Sem registar o calor que me consome,
Na noite silenciosa que te acompanha.
Sem alterar o ritmo do silêncio,
Num beijo cantado ao rubor da magia
Que te cerca em cada nota.

Que bom que é ficar com isto
Que me ocorre e se me apaga da memória.
No mesmo instante em que outra onda de prazer
Me percorre, enquanto seduzes
O silêncio com uma doce expressão,
Um sussurro de encanto tão fácil de relembrar
E tão difícil de esquecer.

Não sentir que isto vai ser roubado;
Não ter que relembrar para mais tarde diminuir
O verdadeiro poder deste momento;
De pensamentos nulos, razões desnecessárias,
De paixão ou amor, mais que certo
Estou contigo em cada olhar.

Quão grande é o romance que consumo?
Não o sei e alegro-me.
Por te ouvir no presente
Slow que nos cerca de forma única.
Por ser egoísta, só para mim.
E beijar-te no segredo da noite
Que nos embala de forma macia.

Não importa o que veio antes,
Ou o que virá.
Até breve, de novo. E se encontrares algo parecido
A isto, vais-te contentar por nada ter sido registado
Na altura em que estivémos... agora
Num deja-vu ficaremos, para sempre.

terça-feira, março 27, 2007

Noite

Pétalas repousam sob o azul escuro
Decorado pelas marcas do passado,
Que cerca a luz inalterada, noutro ciclo.
Água tremula ao vento,
Na bonança da escuridão.

Folhas sobem lentamente,
Enquanto o brilho se interrompe
Por uma onda flutuante mais astuta.
Terra antecipa-se de vida,
Na alegria do momento.

Luzes e impulsos ocorrem
Ornamentados pelo sossego do preto,
Que abriga a cor travessa.
Fogo vacila pela demora,
No animado flanco a Este.

E eu assisto maravilhado,
O quanto me acalmas e ouves
Sem nunca te distanciares.
Jamais, antes do desleixo me acalmar
Tu te deixas desviar.

sábado, março 24, 2007

A tua imagem

Preciso escrever-te.
Libertar a sedução só tua,
Dar música às palavras, diferentes
Daquelas que me dançam ao ouvido,
Sussurradas pelo teu charme,
Silenciadas pela Paixão,
Imortalizadas pelo Amor.

Depois és fria... quente...
Com o teu olhar claro.
Amena com o tom dourado,
Que dança em teu rosto.
Espreito-o durante o calor,
Na vitória de te vislumbrar
Cálida de forma ilustre.
Cada ângulo, uma nota;
No teu rosto vagueia a música,
Perfeitamente improvisada.
Acomodas-me no teu charme.