quarta-feira, novembro 21, 2007

Outono

Ondas de aromas...
Terra molhada... Folhas secas...
Queimadas ao longe.
Amanhã o dia vai ser de novo uma onda.
Uma onda de prazer quando as recordações do passado se juntarem a um raio de sol.
Quando um raio de sol escapar por entre as nuvens.
As nuvens atormentam-me.
Não me sei livrar do frio nem da chuva.
Aposto que tudo é vazio, no fundo destes sentimentos.
As misteriosas melodias soam mais perto, quando me aqueces.
Soam, vibrantes, com imagens isoladas de cores quentes;
Macias, ternas... reais...
Amanhã vou recordar pequenos absurdos,
Quando uma gota de chuva me atinjir no casaco,
Quando uma folha molhada sorrir para mim ao cair de uma árvore,
Quando um pequeno pássaro me tentar alegrar com pinotes ou voos rasteiros,
Ou quando o vento me alertar para o pôr do sol.
E esqueco-me, por momentos, das nuvens negras.
Mas estás em tudo o que me faz sentir bem.
Como posso sentir-me bem sem ti?
Quero, mas não consigo.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Solicitude

Quanta água terá deslizado?
Como se orientaram aqueles tons uniformes?
Gostava de lá ter estado para saborear o momento magnífico e suave.
Já que por vezes nada é suficiente.
Não me chega o alívio de sentir as brisas da noite, testemunhas dessas marés.

Da próxima vez irei mergulhar. Acompanhar por um momento a fonte de vida da nossa grande casa... redonda e azul.
Abraçar uma praia... e outra...
Caprichar com o Sol, passear com a Lua, deslizar até ti...
Será que me acompanhavas?

Depois da chuva posso compreender...
As últimas gotas são as mais sensatas e sirvo-me delas para disfarçar as lágrimas.
Entre o silêncio da fresca manhã que se aproxima, ouvem-se memórias de nós dois.
O tempo para chorar por ti terminou, como a cor da ultima rosa se extinguiu sem o suor do nosso amor. E entre os sons da noite brilham as estrelas, já cansadas de me ouvir.

Tal qual as pétalas mais sábias de cada flor... os meus olhos deixam-se levar pelo cintilar pálido deste instante, embalados na frescura nocturna.
A forma consciente como me despeço de cada estímulo dos sentidos, deixa-me finalmente reaver o início do sonho que me trouxe até aqui.
O ritmo diminui... a pele, já seca, arrepia-se como uma pincelada desenhada ao acaso pelo destino.

Depressa os aromas, as melodias, os tons azulados e o sabor salgado; se fazem notar em jeito de ciúme, acompanhando o vento.
Adormeço com um sorriso. Já longe das carregadas nuvens que hoje tão bem representaram...

segunda-feira, abril 23, 2007

Neblina

Adoro acordar quando não devo.
Adoro a noite da liberdade
Que me atrai nessa altura.
Ver o papel ser vincado,
Ornamentado com os riscos
Do não poder estar consciente.
Que é mais...
É não querer concordar com o tempo;
É voar no pedaço esférico de atmosfera em que sou livre.
Adoro conviver com as luzes tímidas destes instantes;
Os brilhos raros, as sombras pálidas,
Os sons calmos, são tempestades tão agradáveis.
Miniaturas;
Partes do instante que não devia existir, felizmente.

Assistir ao virar das páginas
Dos tons azuis-escuros... claros,
Brancos acinzentados.
Ambos amenos e cúmplices
Dos ventos marotos,
Do momento em que se olha o céu
Do nosso pequeno mundo.
O equilíbrio... quantas vezes desafiado
Pelo prazer de fugir à rotina da gravidade,
já ultrapassada nas felizes ondas.
Adoro ondular, voando na superfície das vagas bicolores.
Circundar as lógicas das terras,
À vista de todos os ângulos.
Sentir a felicidade preencher-me os pulmões...

Não ser; viver inteiramente,
Sonhar tudo e saber que estou acordado!
Adoro isto de fazer rodar o pó
Acumulado pelas estantes da normalidade.
Resvirar o tempo, confundir as horas,
Desencontrá-las dos minutos
E poder conversar com cada segundo
Sem prazo a respeitar.
Sorrir para o horizonte
E deixá-lo finalmente enrolar-se nas nuvens...
Trocar cada sensação e presenciar a criação de mais!

Conhecer a vontade de ver mais,
Além dos sabores...
Dos prazeres que se consomem.
Distinguir aqueles infinitos
Sempre com sorrisos reservados.
Ah... as estrelas!
Sempre presentes no meu devaneio...
Amigas do Sol...
As cores vivas, a conversar com a Lua...
Adoro ter o privilégio de estar aqui.
Na vida do segredo onde se desvendam os mistérios.

Ver as trocas de sorrisos;
Desvendá-los pouco a pouco.
Desfocar a energia
Para vislumbrar os efeitos das observações proibidas.
Adoro adormecer
E saber que haverá sempre mais...

terça-feira, abril 03, 2007

Privado

Que bem que sabe ouvir-te
Sem registar o calor que me consome,
Na noite silenciosa que te acompanha.
Sem alterar o ritmo do silêncio,
Num beijo cantado ao rubor da magia
Que te cerca em cada nota.

Que bom que é ficar com isto
Que me ocorre e se me apaga da memória.
No mesmo instante em que outra onda de prazer
Me percorre, enquanto seduzes
O silêncio com uma doce expressão,
Um sussurro de encanto tão fácil de relembrar
E tão difícil de esquecer.

Não sentir que isto vai ser roubado;
Não ter que relembrar para mais tarde diminuir
O verdadeiro poder deste momento;
De pensamentos nulos, razões desnecessárias,
De paixão ou amor, mais que certo
Estou contigo em cada olhar.

Quão grande é o romance que consumo?
Não o sei e alegro-me.
Por te ouvir no presente
Slow que nos cerca de forma única.
Por ser egoísta, só para mim.
E beijar-te no segredo da noite
Que nos embala de forma macia.

Não importa o que veio antes,
Ou o que virá.
Até breve, de novo. E se encontrares algo parecido
A isto, vais-te contentar por nada ter sido registado
Na altura em que estivémos... agora
Num deja-vu ficaremos, para sempre.

terça-feira, março 27, 2007

Noite

Pétalas repousam sob o azul escuro
Decorado pelas marcas do passado,
Que cerca a luz inalterada, noutro ciclo.
Água tremula ao vento,
Na bonança da escuridão.

Folhas sobem lentamente,
Enquanto o brilho se interrompe
Por uma onda flutuante mais astuta.
Terra antecipa-se de vida,
Na alegria do momento.

Luzes e impulsos ocorrem
Ornamentados pelo sossego do preto,
Que abriga a cor travessa.
Fogo vacila pela demora,
No animado flanco a Este.

E eu assisto maravilhado,
O quanto me acalmas e ouves
Sem nunca te distanciares.
Jamais, antes do desleixo me acalmar
Tu te deixas desviar.

sábado, março 24, 2007

A tua imagem

Preciso escrever-te.
Libertar a sedução só tua,
Dar música às palavras, diferentes
Daquelas que me dançam ao ouvido,
Sussurradas pelo teu charme,
Silenciadas pela Paixão,
Imortalizadas pelo Amor.

Depois és fria... quente...
Com o teu olhar claro.
Amena com o tom dourado,
Que dança em teu rosto.
Espreito-o durante o calor,
Na vitória de te vislumbrar
Cálida de forma ilustre.
Cada ângulo, uma nota;
No teu rosto vagueia a música,
Perfeitamente improvisada.
Acomodas-me no teu charme.

terça-feira, setembro 26, 2006

Ouro sobre azul

Caminhando ao sabor da alma, somos interrompidos pelo relógio.
Sentamo-nos sozinhos na mesa do café à beira-mar, pedimos meia torrada e um café. Damos uma "vista de olhos" ao jornal, que por acaso estava pousado na mesa ao lado e saímos dali por um instante.
Entre o preto e o branco surgem as habituais desgraças e as ordinárias alusões de quotidiano.
Voltamos a nós quando nos chega o pedido à mesa, apressamo-nos a dar uma dentada no pão amanteigado, conforme a vontade do momento e assentamos o jornal de novo na mesa, enquanto uma brisa ameaça levá-lo a passear.
Acabado o lanche da manhã, pedimos a conta e aguentamos 1.80€ pra fora da carteira.
Porque é que tínhamos logo que escolher o café onde a meia torrada custa 1€?
Pequenos erros de navegação... aposto! Mas se não fossem eles, não conhecíamos as torradas do tal Café...

Quantos de nós davam muito para poder voltar atrás no tempo de forma a mudar alguns pormenores da nossa vida? Ou para poder revolver alguns factos...
Com efeito seria o caos. Toda a gente a resolver-se sem pensar nas consequências para os outros.
Porque é que o ser humano se destrói quando ganha poder?
Talvez não sejamos todos assim. É difícil prever.
Mas iniciei este post para voltar a dar sinais de vida e não para dar lições de moral. Já tivemos as nossas aulas de EMRC! (Um abraço para o Grande Professor e Amigo Manuel Sousa!)
O que vale é que isto cá na Terra tudo parece ter uma razão para existir. E quando digo existir, refiro-me ao que surge...
O planeta gira e roda, o vento surge, a água move-se, as ondas abraçam as praias sempre de forma diferente. E felizmente isso ninguém pode mudar...
Devíamos agradecer a alguém todos os dias, pela vida que temos, pelas brisas meigas, pelo Sol que todos os dias nos visita e pela Lua que todas as noites nos adormece. Pelos amigos (e amigas)...
Algo de bom existe para nós todos os dias, se olharmos com atenção...
A vida é de ouro e o céu é azul... :)

quinta-feira, agosto 31, 2006

Blue Sea

É bonito, calmo, embala-nos, refresca-nos...
Mas caso queiram saber, o mar não é daquela cor.
Está apenas apaixonado pelo céu, imitando o seu rubor azul.
Razão pela qual à noite ele escurece.
Tanto tempo admirando quem se gosta, tentado chegar mais perto com vagas e turbilhões determinados. Sem nunca alcançar o abraço.
Lamechices náuticas...

Hoje andei pela primeira vez de mota (do ponto de vista legal).
Senti-me mais vivo naquele momento. É bom sentir o vento a fugir do caminho, mas sempre com respeito.
Depois passei o resto da tarde com pessoas muito especiais. É bom estar entre amigos, sentimo-nos mais mornos cá dentro.
A manhã ficou ocupada com sonhos gastos. Soube bem...
A ideia de estar à beira mar deitado na areia a sentir pekenas ondas refresca-me.
Guardei a maré alta para agora... Caso não tenha sono esta noite.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Olá.

Antes de mais deixem-me explicar que o nome do blog é devido ao meu signo. E também porque gosto de aquários, embora não tenha nenhum actualmente.
Não tenciono falar de mim neste local, mas se o fizer, desculpem. Às vezes sentimos mesmo uma forte necessidade de partilhar bocados de vida.
E é bom escrever de vez em quando. Quanto mais não seja para analisarmos as nossas parvoíces, mais tarde.
No fundo, isto não é nenhum diário, é apenas um espaço pessoal para fugir à lógica do dia-a-dia.